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terça-feira, 27 de janeiro de 2015

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Substância Primordial


O ser humano individualmente não se torna humano, somos seres sociais, fruto de nossas relações com o meio e as pessoas, algo muito falado entre diversos filósofos e que eu acredito, realmente.

Dessa iteração, surge o progresso, advindo da mudança. Como substâncias colocadas juntas, tendemos a nos misturar e a absorver algo do outro em nossas entranhas, nos transformando de maneira irreversível, queiramos ou não, saibamos ou não, assim como nós, por nossa vez, transformamos aqueles que estão em contado conosco e, quanto mais direto seja essa contato, mais transformamos essas pessoas.

Entendendo que a mudança é inevitável, pensemos nos pontos positivos da mesma. Se hoje somos o que somos, isso se deve ao que absorvemos das milhares de pessoas que cruzaram nossos caminhos, e principalmente daqueles com quem mais convivemos, dos livros que lemos, dos filmes que vimos, das informações e obtivemos.

Além das informações, também fomos tocados (transformados) por sentimentos, e possivelmente, muito mais transformados por sentimentos que foram despertados a partir de ações de outras pessoas.


A importância do outro em nosso auto descobrimento.

Um aspecto muito relevante a se levar em conta é o papel revelador que o outro tem em nossa vida. Quando conversamos com o outro, somos forçados a ordenar nossos pensamentos de forma a aprendermos e identificarmos o que sabemos e o que acreditamos, claro, quando existe uma conversa que não fique apenas na superfície.

Algumas iterações que se aprofundam, também nos auxiliam a perceber aspectos ocultos de nossa personalidade, positivos ou negativos, mesmo as sombras Freudianas, que intentamos esconder de nós mesmos, nosso lado mais sombrio.

Quanto mais fundo uma relação te fizer se conhecer, inclusive suas sombras, mais rica ela será.


Raridade das boas relações.

Existem relações onde você apenas ouve, algumas que são apenas mecânicas, do dia a dia, e outras onde você fala e ensina e outras onde você aprende. Talvez existam diversas gradações.

Geralmente as relações não vão além da troca de recados, de coisas a fazer, de trabalhos a se concluir, de visitas sociais.

“Encontra alguém com quem se pode conversar é tão raro... Geralmente as pessoas só falam.” Clarisse Lispector

Ao falar sobre o que pensa, você cresce, à medida que te ajuda a se conhecer e conhecer o que você pensa, mas se quer crescer além do que você é, é importante que se relacione com pessoas que podem trazer algo novo.

Quero te fazer um convite. Pense nas seis pessoas com quem você mais convive.

Sobre essas relações, quais são aquelas que te ajudam a crescer, onde você além de instrutor é também aluno, onde além de ensinar, você aprender, onde você cresce e fica mais rico em algum sentido.
Agora, deixe seu comentário, me diga o quão raras elas são e, se não forem raras para você, aproveite pois as coisas mudam, as pessoas mudam, as pessoas se mudam e elas podem se tornar raras.

Sobre a falta de padrão.

As pessoas socioculturalmente mais desconexas são muitas vezes aquelas que possuem o maior conteúdo, veja Espinosa e Nietzsche, por exemplo, ousando falar sobre uma moral diferente da moral vigente, a quebrar paradigmas.


Pessoas, ou coisas?

Quando olhamos para pessoas e enxergamos padrões, não estamos olhando para pessoas, estamos olhando para coisas, numa relação eu-isso (Martin Buber), que embora seja necessária não deveria ser preponderante entre seres humanos.

sábado, 11 de outubro de 2014

Como está sua conta corrente emocional?

Existe um conceito chamado de conta emocional ou coeficiente emocional, que vou expor abaixo para que você possa refletir se ele tem alguma utilidade para você.

Um relacionamento a dois possui uma dinâmica de trocas constante entre os dois envolvidos. Essas trocas são geralmente atos ou palavras, que são dados de um ao outro e que alteram o estado emocional de ambos, principalmente daquele que está recebendo. 

Por sua vez, o receptor é impelido a retribuir.

Uma palavras de afeto, de carinho, de amizade, vai contribuindo para o crescimento do crédito positivo da conta emocional relacional. Infelizmente, nem sempre ocorre um depósito nessa conta. Há momentos em que ocorrem retiradas.

Algumas retiradas das quais me lembro agora são agressões físicas, psicológicas ou verbais. Cobrança demasiada ou indevida de supostos deveres ou atividades, principalmente da que não se quer fazer mas quer que o outro faça. Falta de paciência para prestar atenção ao que o outro fala, aos seus anseios e ao que está acontecendo com o parceiro fora do lar.

Nessa conta corrente emocional, tudo bem se em alguns momentos ela estiver negativa, no vermelho. O problema começa a tomar vulto a medida em que a conta fica cada vez mais negativa.
Eu disse que cobrança de atividades era um ponto negativo, isso se não houver uma atitude de liderança por parte daquele que deseja liderar. A atitude de líder é aquela de servir primeiro sem exigir nada em troca, de forma que o sentimento de reciprocidade faça com que o outro também queira te servir, mais ou menos como diz o livro “O monge e o Executivo”.

Filosofia Real

Imagine uma relação que esteja tão no vermelho, que o casal não realize depósitos positivos a muito tempo e que a comunicação se resuma a cobranças ou reclamações. O destino esperado dessa relação será a falta de diálogo para evitar mais discussões, intercaladas com palavrório acalorado, culminando com o fim do relacionamento ou, se existirem motivos com importância maior para “prender” esse casal, seu destino será uma vida confusa vivida por dois estranhos ou inimigos, que dormem juntos.

Apesar de tudo isso ser muito obvio, a tendência de alguém numa relação assim, principalmente por parte daquele que mais débitos cria, é de não entender a sua decisiva participação como causador ou co-causador da ruína de seu relacionamento. Por padrão, cobra-se do outro a culpa que é dele.
O “gastador”, não entende como o seu parceiro não realiza as tarefas que ele “ordena”, sem ter adicionado o mínimo de crédito emocional a sua conta, sem ter pago nada em troca.

Um último ponto a se atentar, é que, embora a conta seja mesmo relacional, cada um dos parceiros possui a sua própria conta e realiza automaticamente seus próprios cálculos, conforme suas forças e capacidades de suportar e conforme se considere mais ou menos vítima.