quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Afinal, o que é bom humor? O que não é bom humor?

Procurando informações sobre o humor, mais especificamente ser bem humorado,  identifiquei inúmeras receitas de bom humor relacionadas ao condicionamento interno de aceitação da própria vida, do trabalho, do amor, etc. Relacionam o humor a felicidade.

Se estiverem certos, podemos falar que o “bom humor” sarcástico que impera em nossos dias não é o bom humor verdadeiro, fruto de uma mente sadia, e sim uma manifestação doentia da própria insatisfação.



Vejo inúmeras pessoas insatisfeitas com a própria vida e bem humoradas que se divertem com a própria inveja ao apontarem defeitos alheios (que na verdade são virtudes), como um trabalho extremamente bem feito.


Vejo entre os mais bem humorados indivíduos sarcásticos que se deleitam em denegrir a imagem alheia, mesmo que por brincadeira, mesmo na presença da vítima. Indivíduos que não arredam o pé em causar pequenas contrariedades em nome do bom humor, no dizer popular, “perdem um amigo mas não perdem a piada”.

Humor de aparência.

Recentemente vi um discurso da senadora Ideli Salvatii, não sei como ela é, mas ela falava dos piores políticos presentes no senado, afirmava que quanto mais corrupto mais bem humorado, mais amigos, mais risadas e favores, o que me lembra das primeiras partes do livro “A República” de Platão, em que uma dupla de irmãos, Glauco e Adimanto, filhos de Aríston, discursaram em favor da injustiça, defendendo a aparência e seus benefícios, de tal forma que seria mesmo necessário um Sócrates para esclarecer aquelas mentes. A história vem se repetindo.

Humor escarnecedor.

Me lembro dos tempos de criança em que embarcava nessa onda. A diversão entre os meninos era escarnecer de seus amigos, rirem-se mutuamente uns dos outros. Sei que isso para muitos adultos parece ser algo saudável e normal. É mesmo normal, mas não diria que saudável pois nada que se afaste da virtude é saudável, “a boca fala daquilo que está cheio o nosso coração”, se nos enchemos de virtude sairá virtude de nossa boca. Mostra-nos o estado de evolução em que se encontra a nossa sociedade, embora melhor que no passado, ainda atrasada.

Estudarei melhor o assunto, mas atualmente me parece que bom humor se restringe a encenação para auferir favores ou a se juntar a um grupo para escarnecer alguém ou alguma coisa, sejam personagens fictícios ou verdadeiros, da vida real ou de filmes e novelas.

Existe bom humor?

Pessoas notáveis como Sócrates, Gandhi, Madre Tereza e nosso eleito maior brasileiro de todos os tempos, o Chico Xavier, eram pessoas bem humoradas embora não sarcásticas. No caso de Chico Xavier lembro-me dele contando casos engraçados de si mesmo, divertindo assim os outros sem agredir a ninguém.
Se fosse necessário retroceder em minha ética para me tornar bem humorado seria sempre sisudo. Vamos lá...

O que não é bom humor.

Finalizo a questão sem lhe dar uma resposta, definitivamente não sei o que é bom humor, mas já sei o que não o é. Para ser bom tem que ser bom para todos e refletir a virtude. Uma piada que faz nove rirem e um chorar não é boa para esse um. O que encontramos no dia-a-dia como bom humor deveria se chamar mau humor por ser diferente de bom.

Observações: Esse é um texto da minha fase misantrópica. Sim, fases fazem parte do meu progresso, como uma espiral.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nossa evolução também surge da nossa aparente fraqueza.


Toda evolução física das espécies surgem biologicamente de anomalias genéticas, de alterações que tornariam o indivíduo inadequado ao seu grupo.

As primeiras aves, derivadas dos dinossauros, não voavam, elas pulavam de uma árvore até outra e planavam como fazem os atuais esquilos voadores que utilizam sua pele como paraquedas. Quando, porém, imaginamos que uma dessas aves (dinossauros) nasceu com ossos frágeis e ocos (osso pneumático), e que essa fraqueza foi um dos fatores que permitiu que a realização do voo se tornasse factível, deixamos de enxergar essa mudança como uma fraqueza.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

As Convicções Humanas São Tão Efêmeras Quanto à Posição Dos Continentes


A vontade de escrever não escolhe horários.

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As convicções humanas são tão efêmeras quanto à posição dos continentes. Quando observados por períodos relativamente curtos os continentes parecem fortes e invencíveis, mas estão em constante movimentação e transformação.

Outrora, toda terra na superfície formava um único continente que pouco a pouco se rachou. As convicções humanas pouco a pouco vão se transformando.

Conceitos aceitos por milênios se transformam, como o geocentrismo defendido pelo magnânimo Aristóteles foi derrubado pelo heliocentrísmo de Copérnico.

Todos os dias pessoas se levantam de suas cadeiras batendo no peito e exclamando suas verdades para a plateia, você pode estar fazendo isso agora e eu também, e isso é bom, pois precisamos de direção para dar suporte a nossa vida, mas lembre-se sempre que nem os continentes se sustentam. Os continente são finas camadas de rochas solidificadas, poeira e matéria orgânica acumulada sobre imensa camada de magma e metal derretido, se movendo incessantemente.

Sem convicções, o que seria de nós humanos, única espécie no planeta a entender sua perenidade e finitude. Precisamos de convicções, são elas que nos movem e nos mantém vivos, nos propicia a cultura e as ideologias e perpetuam nossa evolução intelectual, pois as convicções também evoluem, abandonamos uma para ficar com outra e a seleção natural se encarrega do resto.

Não creio que haverá convicção imutável além daquela que foi abandonada.

"Tudo flui, nada persiste nem permanece o mesmo"
Heráclito de Efeso


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Mais uma vez escrevo um texto que não se assemelha a um passeio no jardim, se trata de uma tempestade cerebral.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Máscara Social

A Máscara Social
Rir do que não tem graça, ser pueril, se importar com o que não tem importância, seguir cegamente ideologias que nos escravizam, fingir se importar com o que não se importa, condição essencial da vida social, colocar a persona, a mascara e ser o que não é para o que o que você é não seja o inapropriado socialmente. Fazendo trocadilho com o “ser ou não ser” de Shakespeare lançamos o “ser O não ser”, ou ser um misantropo como Heráclito de Éfeso ou Rousseau no fim da vida e muitos outros homem que ousaram pensar.

Quisera eu descobrir o segredo de Demócrito de Abdera, o filósofo que ri, e de sua alegria.


O “socialmente apropriado”:

Ri-se de brincadeiras e piadinhas idiotas e preconceituosas de um grupo.
Importa-se com eventos esportivos e bandas musicais verdadeiramente sem importância.
Segue a ideologia do torcedor do futebol que nos segrega dentro de uma mesma casa, nos escravizando a razão. Veja bem, se você se irritou e se colocou como defensor do ato de torcer por times de futebol está contaminado por essa ideologia.

E o ato socialmente apropriado menos destruidor, mais tolerável. Fingimos que nos alegramos com conquistas que alguém que não é importante para nós realiza e nos conta alegremente. Vá lá, essa eu tenho que aceitar, se é mesmo conquista, a humanidade precisa de conquistas e toda conquista humana deveria ser comemorada, se for uma conquista justa. Essa minha ação deliberada poderá dar surgimento posteriormente a uma virtude.

As anteriores, ao contrário, um dia serão abolidas, nada de piadinhas idiotas, de mal gosto e preconceituosas, nada de ridícula devoção a times de futebol e artistas famosos, vamos largar nossa adolescência e adorar a sabedoria, as virtudes e o bem comum, vamos nos alegrar com as conquistas alheias como se fossem nossas, valorizar o que deve ser valorizado e avançaremos muito mais do que avançamos nos séculos XIX e posteriores, vamos avançar moralmente.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Lições da Vida


Quais lições podemos tirar das situações da vida?




Pensando hoje sobre isso, algumas ideias vieram à cabeça.
A primeira é que quanto mais insolúvel o problema maior a lição que ele proporciona.
A segunda, é que qualquer que seja o problema, não devemos olhar apenas por um ângulo, nem analisar apenas uma solução, pois corremos o risco de não nos permitir escolher o melhor, e o melhor, nem sempre seria o socialmente mais adequado.

Basta lembrarmos que as mudanças sociais só ocorreram e ainda ocorrerão, devido a pessoas que ousaram mudar.

Não vou discorrer sobre o certo e o errado aqui, talvez sejamos míopes demais para conseguir enxergar o que é certo enquanto estamos dentro do problema, ainda assim, devemos aprender alguma coisa com a situação para que ela não tenha sido em vão, e para que a situação não represente apenas uma catástrofe em nossa vida. Busquemos significado em todas as situações profundas pelas quais tenhamos que passar.

Em alguns momentos, acreditamos que a resposta correta, é seguir o social, o que a sociedade espera de nós, mas já imaginou se for o contrário disso? Se o Universo espera de nós que ao invés de seguir a manada, acordemos e nos tornemos os donos dos nossos destinos? Realmente, é impossível saber o que é o correto, por isso, até com os fracassos devemos tentar enxergar os pontos de aprendizado.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Substância Primordial


O ser humano individualmente não se torna humano, somos seres sociais, fruto de nossas relações com o meio e as pessoas, algo muito falado entre diversos filósofos e que eu acredito, realmente.

Dessa iteração, surge o progresso, advindo da mudança. Como substâncias colocadas juntas, tendemos a nos misturar e a absorver algo do outro em nossas entranhas, nos transformando de maneira irreversível, queiramos ou não, saibamos ou não, assim como nós, por nossa vez, transformamos aqueles que estão em contado conosco e, quanto mais direto seja essa contato, mais transformamos essas pessoas.

Entendendo que a mudança é inevitável, pensemos nos pontos positivos da mesma. Se hoje somos o que somos, isso se deve ao que absorvemos das milhares de pessoas que cruzaram nossos caminhos, e principalmente daqueles com quem mais convivemos, dos livros que lemos, dos filmes que vimos, das informações e obtivemos.

Além das informações, também fomos tocados (transformados) por sentimentos, e possivelmente, muito mais transformados por sentimentos que foram despertados a partir de ações de outras pessoas.


A importância do outro em nosso auto descobrimento.

Um aspecto muito relevante a se levar em conta é o papel revelador que o outro tem em nossa vida. Quando conversamos com o outro, somos forçados a ordenar nossos pensamentos de forma a aprendermos e identificarmos o que sabemos e o que acreditamos, claro, quando existe uma conversa que não fique apenas na superfície.

Algumas iterações que se aprofundam, também nos auxiliam a perceber aspectos ocultos de nossa personalidade, positivos ou negativos, mesmo as sombras Freudianas, que intentamos esconder de nós mesmos, nosso lado mais sombrio.

Quanto mais fundo uma relação te fizer se conhecer, inclusive suas sombras, mais rica ela será.


Raridade das boas relações.

Existem relações onde você apenas ouve, algumas que são apenas mecânicas, do dia a dia, e outras onde você fala e ensina e outras onde você aprende. Talvez existam diversas gradações.

Geralmente as relações não vão além da troca de recados, de coisas a fazer, de trabalhos a se concluir, de visitas sociais.

“Encontra alguém com quem se pode conversar é tão raro... Geralmente as pessoas só falam.” Clarisse Lispector

Ao falar sobre o que pensa, você cresce, à medida que te ajuda a se conhecer e conhecer o que você pensa, mas se quer crescer além do que você é, é importante que se relacione com pessoas que podem trazer algo novo.

Quero te fazer um convite. Pense nas seis pessoas com quem você mais convive.

Sobre essas relações, quais são aquelas que te ajudam a crescer, onde você além de instrutor é também aluno, onde além de ensinar, você aprender, onde você cresce e fica mais rico em algum sentido.
Agora, deixe seu comentário, me diga o quão raras elas são e, se não forem raras para você, aproveite pois as coisas mudam, as pessoas mudam, as pessoas se mudam e elas podem se tornar raras.

Sobre a falta de padrão.

As pessoas socioculturalmente mais desconexas são muitas vezes aquelas que possuem o maior conteúdo, veja Espinosa e Nietzsche, por exemplo, ousando falar sobre uma moral diferente da moral vigente, a quebrar paradigmas.


Pessoas, ou coisas?

Quando olhamos para pessoas e enxergamos padrões, não estamos olhando para pessoas, estamos olhando para coisas, numa relação eu-isso (Martin Buber), que embora seja necessária não deveria ser preponderante entre seres humanos.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O Pensamento de Espinoza- prof. João Luiz Muzinatti

Café Filosófico com o prof. João Luiz Muzinatti sobre O Pensamento de Espinoza Algumas ideias do vídeo que parece que existem.

  • Somos modos (modificações) da natureza
  • Somos afetados por todos com quem nos relacionamos
  • Encontros bons aumentam nosso instinto de vida.
  • Não existe liberdade.
  • Criar uma forma própria de viver.
  • Criar a própria vida é a maior forma de liberdade.
  • Se tornar causa de sua própria natureza
O autor disse que não dá para ser o mesmo depois de ler Espinoza.